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PRÓLOGO
Caro leitor, prazer em conhecê-lo, espero que adivinhe o meu nome...
Não, não sou o diabo. Isso seria fácil demais não acha? Qualquer admirador dos Stones lá chegaria com toda a facilidade. E o desafio que lhe proponho é mesmo esse: adivinhar o meu nome antes desta história terminar. Digo-lhe já que não é fácil; mas se estiver com muita atenção e concentrado na história, é bem capaz de lá chegar. É que o número de suspeitos é limitado, e as pistas estão lá todas.
Comecei a matar por acidente. Até então, sempre me considerara uma pessoa de bem. A minha primeira vítima, uma mulher pequenina e roliça, mas muito bem feita, foi a culpada de tudo. No fundo eu só queria sexo, quem a mandou esbofetear-me, com a mão e com palavras tão duras?
Ainda me lembro do horror que senti, quando a estrangulei e percebi que estava ter um gozo imenso. Eu, alguém que sempre respeitara todos os seres vivos, que se desviava para não pisar um caracol no passeio, e até evitava matar moscas, não podia sentir uma tal euforia enquanto tirava a vida a outro ser humano. Mas sentia! Uma sensação de tal maneira forte e poderosa, que nada mais importava naqueles instantes gloriosos.
Caro leitor, o meu nome é Diana Pais e sou caçadora. Nome apropriado, não? Mas não caço coelhos ou perdizes, nada disso. Trabalho na Judiciária e passo a vida a caçar homicidas. Na realidade, para horror e espanto dos meus colegas mais antigos e mais machistas, com apenas trinta e três anos estou a um passo de chefiar o departamento.
Também pudera; em dez anos de serviço nunca deixei um caso por resolver. Tornei-me uma lenda, que ultrapassou os muros da polícia. Desde que os idiotas da televisão resolveram fazer uma peça sobre mim, nunca mais tive descanso.
Quando fui chamada à universidade para este novo caso, estava longe de saber que me esperava o maior desafio da minha carreira. Nunca encontrara um caso tão complexo e fora do vulgar. De tal forma que, pela primeira vez depois de tantos crimes, em alguns momentos tive a sensação que não o conseguiria resolver.
Acompanhe-me, por favor, nesta aventura incrível. Prometo fornecer-lhe, em primeira-mão, todas as informações a que tiver acesso. E, quem sabe, pode ser que consiga descobrir o assassino antes de mim.
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PRIMEIRO
- Sabes, Rita, tenho reparado na forma co... como olhas para mim, ultimamente. – Digo, tentando fazer uma voz sedutora, mas sem sucesso. Os nervos traem-me e acabo por gaguejar.
- Ah, sim? E que olhares são esses? – Pergunta ela, trocista. Como de costume, isto não está a correr nada bem. A minha inépcia com as mulheres acompanha-me desde os tempos do liceu. Por todas as turmas onde passei, fui alvo de troça por ser diferente; sempre fui a “aberração” da turma. Mas desta vez não a vou deixar gozar comigo.
- Não te faças sonsa. Sabes bem ao que me refiro. – Digo, já com uma ligeira irritação na voz. Que diabo! Esta gaja passa a vida a deitar-me olhares lânguidos, e agora finge que não houve nada? Sem dar por isso, começo a cerrar os punhos...
- Sinceramente, não estou a perceber nada. Só se forem olhares de tédio, quando a conversa é mais aborrecida.
- Deixa-te de joguinhos! – Grito, prestes a perder o controlo. Bolas pá! Sei que ela me quer, porque é que está armada em esquisita? Decido arriscar tudo por tudo. – Podes parar com essa conversa. Sei que me desejas tanto como eu a ti. – Digo, enquanto lhe meto a mão pela saia acima, em busca daquela rata quentinha, que tanto desejo. Por momentos parece gostar, mas de repente esbofeteia-me e sai do carro, largando impropérios dignos de um camionista.
Fora de mim, persigo-a pelo parque de estacionamento, agarro-a por um braço e obrigo-a a voltar-se; dá-me novo estalo, seguido de um pontapé; respondo com um forte estalo, dado com as costas da mão; ela cambaleia e cai para a frente, atordoada; é então que sem pensar a agarro pelo pescoço; tenta meter-me os dedos nos olhos, mas ainda está fraca; estico os braços e evito-o facilmente; a partir daqui, tudo se passa de forma estranha.
Sinto-me como um fantoche, controlado por bonecreiro satânico. Sem vontade própria, continuo a apertar, cada vez com mais força; de repente, um lampejo de pena e culpa surgido algures nos recônditos da minha mente, faz-me aliviar por momentos a pressão, mas depressa o bonecreiro retoma o controle e relembra-me o objectivo; lá bem ao longe, vejo uma cara em pânico, como que envolta numa névoa. Olhos esbugalhados, cheios de um terror insano, suplicam-me que pare, mas é inútil. Estou em transe, sinto-me um ser maravilhoso e todo-poderoso, capaz de tudo. Sem piedade nem hesitação, mantenho o aperto firme até ao estremecer final.
E pronto! Acabo de matar pela primeira vez! Ainda não estou em mim, com a descarga de adrenalina. Nunca pensei que fosse tão fácil. E acima de tudo tão bom; melhor do que sexo. Ok, está bem, talvez não seja melhor do que sexo, mas é de certeza tão bom como.
São sobretudo sensações diferentes. Aquele estrebuchar final, olhos nos olhos com a vítima, é como se fossemos Deus, ou o Diabo, armados do enorme poder de tirar uma vida. É impossível ultrapassar uma sensação destas. Quando muito, talvez um orgasmo a possa igualar.
Por falar em sexo, e se eu aproveitasse para a comer agora? Ainda está quentinha... deve ser bom na mesma. Mas não sem tomar precauções primeiro. Conheço bem os métodos da polícia científica e posso garantir-vos que não tenciono facilitar-lhes o trabalho; antes pelo contrário.
Adormeci há alguns minutos, quando toca o telefone. É o João, o meu parceiro. – Johnny, espero que tenhas um bom motivo para interromperes o meu sono de beleza...
- Claro que o motivo é bom, Lady Di; por acaso viste o tempo para amanhã? Olha que vai fazer muito frio, agasalha-te bem. – Diz ele, em tom cândido.
- Diz lá o que se passa e deixa-te de tretas.
- Sabes bem que se ligo a esta hora é porque houve um homicídio, porque é que fazes sempre essa conversa?
- Não ligues, é só para te ver irritado. Onde foi?
- Na universidade; vou agora para lá. Queres que passe aí para te apanhar?
- Passa sim; não estou em condições de conduzir. Até já. – Desligo e fico por momentos pensativa, antes de saltar da cama para vestir qualquer coisa. Bom tipo, o João Mata. E um auxiliar de grande valia. Com uma memória fotográfica, e uma incrível capacidade de observação, nada lhe escapa quando analisa a cena de um crime. Até pistas que escapam à polícia científica, ele detecta com um relance do seu olhar de águia.
Já eu, apesar de também ser boa observadora, não chego aos calcanhares do João. A minha especialidade está nos interrogatórios. Consigo apanhar mentirosos com uma facilidade impressionante, e tenho um jeito muito especial para os fazer confessar. Além do mais, no que toca a interpretar pistas e juntar as peças do puzzle, deixo todos os meus colegas a milhas.
- Quem participou o crime? – Pergunto, já instalada no carro. O João, como de costume quando nos dirigimos para um homicídio, ligou as luzes de emergência e empenha-se em bater o seu recorde pessoal de sinais vermelhos atravessados a grande velocidade.
- Uma tal Dra. Joana Lemos. Ia a dirigir-se para o carro quando deparou com uma estudante seminua, uma das suas alunas, estendida no parque de estacionamento, já sem vida.
- Bom, pelo menos já temos a vítima identificada; isso é meio caminho andado. Com se chama a infeliz?
- Rita qualquer coisa; confesso que não liguei muito a isso. Mas pediram à Dra. para esperar lá por nós. Depois podes perguntar-lhe essas coisas.
- Claro, claro, não há problema. E foi morta como?
- Ao que parece foi estrangulada. Pelo menos a doutora tem quase a certeza disso. Quando a avisaram para não mexer em nada, parece que ficou ofendida, como se lhe estivessem a chamar ignorante.
- É normal. Com tantas séries policiais na TV, CSI e companhia, já toda a gente sabe essas coisas. E depois não compreendem que temos sempre de avisar.
Ao chegarmos ao local do crime, encontramos o perímetro já cercado com a famosa fita amarela, e os forenses em plena actividade. Flashes rasgam a noite enquanto fotografias são tiradas de todos os ângulos. O João passa a fita e começa logo a falar como uma loura bonita, que examina as mãos da vítima. Ao mesmo tempo, o seu olhar varre todo o perímetro em busca de pistas. É um verdadeiro scanner, aquele homem.
Já eu, dirijo-me logo a uma mulher alta, trinta e muitos anos, porte atlético e ar acabrunhado, que está de pé a um canto. Sem pensar, observo-lhe o rosto e pescoço. Estão limpos; nem sinal de arranhões; uma das marcas com que os assassinos ficam, em casos de estrangulamento.
- Doutora Joana Lemos? – Pergunto estendendo-lhe a mão. O aperto é firme e poderoso. Sabendo que uma grande parte dos homicídios são comunicados à polícia pelo próprio assassino, não posso deixar de me interrogar... – Diana Pais, da judiciária, muito prazer.
- Muito prazer. – Responde, meia apática.
- Doutora, sei que ainda deve estar em estado de choque, mas preciso fazer-lhe umas perguntas; pode ser?
- Com certeza inspectora. Pergunte o que quiser.
- A vítima era sua aluna, certo?
- Era minha aluna, sim; a Rita Duarte era uma das melhores em Técnicas de Interrogatório.
- Técnicas de Interrogatório? Isso é uma disciplina universitária? – pergunto, não escondendo o espanto.
- Sim inspectora; este é um curso recente, de Criminologia, e pretende formar futuros colegas seus.
- Estou a ver. – digo, procurando esconder um sorriso. É no mínimo irónico, que um curso destes seja palco de um crime a sério. – Então diga-me, quando viu a vítima pela última vez com vida?
- Na aula desta noite, que terminou por volta da onze horas. Depois fiquei a trabalhar no meu gabinete até quase à meia-noite, antes de me dirigir para o carro.
- Diga-me, doutora, alguém a viu a trabalhar no gabinete? Não leve a mal, mas...
- Não se preocupe, inspectora, eu sei que sou suspeita. Lembre-se que sou especialista em criminologia. Sei também que o facto de ter encontrado o corpo não diminui essas suspeitas, antes pelo contrário, só as aumenta. Respondendo à sua pergunta, não, pelo menos que eu desse por isso, ninguém me viu no gabinete. Não tenho quem me confirme o álibi, portanto.
- Muito bem, doutora. Agora diga-me, durante a aula notou alguma coisa fora de vulgar?
- Olhe, assim que me lembre, nada de especial.
- Tem a certeza? Não houve nenhuma discussão, ou troca de palavras mais azeda, entre a vítima e algum dos colegas? Ela tinha algum namorado na turma? Viu-a combinar alguma coisa para depois das aulas?
- Bom, a Rita passou a aula a provocar um dos colegas com olhares promissores. Mas isso era uma situação normal. Todos as semanas escolhia um diferente para seduzir.
- Ah sim? Era então uma moça bastante promíscua...
- Engana-se inspectora. Parece que aquilo era só fogo de vista. O especial gozo desta mulher era provocar os colegas e fazê-los avançar com propostas amorosas, para depois lhes dar grandes tampas.
- Algo me diz que esta última tampa correu mal...
- Acha? Pois eu estou convencida que isto foi obra de um estranho. Provavelmente um ladrão ou violador. Conheço bem os meus alunos e não estou a ver nenhum deles com estofo de assassino. Principalmente o que ela provocou esta noite.
- Como se chama ele? Gostava de o interrogar ainda hoje.
- É o Rui Pontes, um rapaz super pacífico. Tenho o telefone dele, se quiser.
- Obrigado, doutora. – Digo, copiando o número do telemóvel que ela me estende e efectuando logo a chamada. Atende-me a mensagem de telefone desligado. – Está desligado.
- Se calhar já está a dormir. Muitas pessoas desligam o aparelho ao deitar.
- Ou então não lhe dá jeito responder. Por acaso não tem a morada?
- Isso não tenho, lamento. Só mesmo na secretaria, mas essa está fechada.
- Muito bem, doutora. Só mais uma coisa e deixo-a ir dormir. Onde estava a vítima quando a viu pela última vez?
- Depois da aula veio ter comigo para tirar uma dúvida sobre a matéria que tinha acabado de dar. A Rita era uma aluna interessada e sempre atenta.
- E foi ao seu gabinete?
- Não, foi logo ali na sala, assim que a aula terminou. Esclareci-a, ela saiu e nunca mais a vi.
- Bem, doutora, por hoje não lhe tomo mais tempo. Mas amanhã gostaria de a voltar a interrogar, com mais calma. Pode aparecer na esquadra por volta das onze?
- Posso sim. Então até amanhã, inspectora.
- Até amanhã, doutora. E, por favor, tente rever mentalmente toda a aula. É importante que se consiga lembrar de todos os pormenores. – Fico a vê-la afastar-se, sem saber bem o que pensar. Por um lado pareceu-me sincera; e a confirmarem-se os avanços da Rita sobre o colega Rui, estamos perante um suspeito muito forte. Por outro, qualquer coisa me diz para não confiar a cem porcento na doutora; pode até não ser culpada, mas tenho a sensação de que me está a esconder algo...
- Então Diana, conseguiste sacar alguma coisa à doutora? – Pergunta o João.
- Consegui pois; coisas muito interessantes, até. E tu, com o local do crime, descobriste alguma pista? – Digo, enquanto me dirijo ao corpo. Os forenses já terminaram o seu trabalho e desampararam a loja. Os paramédicos preparam-se para transportar o cadáver para a morgue. Apesar da hora tardia, estão já umas duas dúzias de mirones, encostados à fita com ar entendido. – João, disfarçadamente fotografa os curiosos. – Digo em voz baixa.
- Não te preocupes, já está tratado. Quanto a pistas, nada de nada. Tenho a certeza que o criminoso limpou o local com zelo.
- E na vítima não encontraram nada? Um estrangulamento por norma dá luta. E, a não ser que seja feito por trás, quase sempre o assassino sai arranhado. Nada de pele debaixo das unhas? – Entretanto tinha chegado junto à pobre Rita. Levanto o lençol que a cobre. Está nua da cintura para baixo, o que sugere violação; e foi sem dúvida estrangulada. As marcas no pescoço e o tom de pele arroxeado, não enganam.
- Pois, isso é o mais estranho. Não parece haver nada debaixo das unhas; mas os forenses ainda vão processar o corpo com mais cuidado, antes da autópsia. Só nessa altura é que vamos ter a certeza. É como te digo, o assassino deve ter limpo tudo. Estamos a lidar com alguém que conhece a fundo os nossos métodos.
- Bom, isso não me admira nada. Sabes a que curso pertence a vítima? Criminologia.
- Criminologia?! Eu estudei aqui e no meu tempo não haviam cursos desses.
- É uma coisa recente. Mas estás a ver, não é? Se foi morta por um dos colegas, ou pela própria professora, todos conhecem bem os nossos métodos.
- Sim, claro. Todos esses e mais os milhões que vêm as séries CSI na televisão.
- Lá isso é verdade; mas olha, João, já temos um suspeito principal. Parece que a vítima se entretinha a seduzir os colegas na aula, para depois os humilhar quando faziam algum avanço.
- Humilhação quando fazemos um avanço? Essa é a história da minha vida, como tu muito bem sabes, aliás...
- Desculpa mas nunca te humilhei; apenas fui firme e assertiva. Porque é que será que os homens encaram uma nega como uma tragédia? É por isso mesmo que esta teoria me parece bem plausível; palpita-me que esta história tem a ver com uma tampa que deu para o torto...
- Isso é bem possível. Há gajos que não aceitam um não como resposta.
- Exacto. E parece que nos últimos dias a Rita tinha dirigido as atenções para o Rui Pontes, um dos seus colegas de turma. Quando lhe tentei ligar, deu telemóvel desligado...
- Isso é bastante suspeito, sem dúvida. Queres que tente encontrar a morada dele?
- Sim, liga para a sede que eles devem consegui-la. Mas algo me diz que não o vamos encontrar em casa.
- Vou já ligar. E quanto à professora, o que achaste dela?
- Olha, não sei muito bem. De início pareceu-me sincera, mas depois veio com uma conversa muito estranha, como se estivesse a esconder algo, ou a proteger alguém.
- Como assim?
- Olha, veio com uma história de que conhecia bem os alunos e nenhum deles teria estofo de assassino. Quer dizer, eu não disse nada, mas qualquer detective de algibeira sabe que os assassinos não trazem um A na testa, e na maioria dos casos parecem pessoas normais.
- Realmente é esquisito. Mas de qualquer forma não podemos excluir a hipótese de ter sido um estranho a matar. Deixa-me então ligar para a sede.
- Sim, mas antes de irmos a casa dele quero interrogar os seguranças, ou outro pessoal que cá estivesse entre as onze e a meia-noite.
Tanto quanto pudemos averiguar, às onze e um quarto da noite a universidade ficava vazia, com excepção de um segurança e de um ou outro professor que por vezes trabalhava até mais tarde. O segurança não tinha visto nem ouvido nada de anormal. Claro que muita vezes estes gajos adormecem em serviço, por isso o testemunho deles nem sempre é fiável.
Depois de interrogado o segurança, dirigimo-nos a casa do suspeito. Como já esperava, não está e o telemóvel continua desligado. Cada vez estou mais convencida de que o Rui Pontes é o nosso homem. Mas como de momento não podemos fazer mais nada, dou o dia por terminado.
- João, acho melhor irmos dormir. Já é tarde e amanhã o dia vai ser muito longo; quero interrogar todos os alunos da turma, a começar pelo Rui Pontes, claro. Todos são suspeitos, mas também testemunhas. O que se passou naquela última aula pode ser a chave para encontrar o assassino.
- Ok, chefe, vou já deixar-te em casa. E amanhã, assim que chegar, vou ligar para a universidade e pedir um email com a lista dos contactos de todos os alunos daquela turma. Quero começar logo a ligar-lhes. Para que horas marco os interrogatórios?
- Olha, se conseguires que comecem logo pelas dez da manhã, já é muito bom. E tenta que o Rui Pontes seja o primeiro; se o conseguires contactar, é claro. Quanto mais cedo começarmos, melhor. Gostava de interrogar toda a gente amanhã, enquanto o que se passou ainda está fresco na memória de todos. E também para ver se não damos tempo a que se combinem algumas histórias.
- Amanhã vai ser cá uma maratona... mas o que tem de ser tem muita força.
- Sim, mas se dividirmos o trabalho entre os dois, acho que conseguimos despachar tudo até à noite. Ciao Johnny, até amanhã. – Disse, abrindo a porta do carro.
- Até amanhã Diana, dorme bem.
PRÓLOGO
Caro leitor, prazer em conhecê-lo, espero que adivinhe o meu nome...
Não, não sou o diabo. Isso seria fácil demais não acha? Qualquer admirador dos Stones lá chegaria com toda a facilidade. E o desafio que lhe proponho é mesmo esse: adivinhar o meu nome antes desta história terminar. Digo-lhe já que não é fácil; mas se estiver com muita atenção e concentrado na história, é bem capaz de lá chegar. É que o número de suspeitos é limitado, e as pistas estão lá todas.
Comecei a matar por acidente. Até então, sempre me considerara uma pessoa de bem. A minha primeira vítima, uma mulher pequenina e roliça, mas muito bem feita, foi a culpada de tudo. No fundo eu só queria sexo, quem a mandou esbofetear-me, com a mão e com palavras tão duras?
Ainda me lembro do horror que senti, quando a estrangulei e percebi que estava ter um gozo imenso. Eu, alguém que sempre respeitara todos os seres vivos, que se desviava para não pisar um caracol no passeio, e até evitava matar moscas, não podia sentir uma tal euforia enquanto tirava a vida a outro ser humano. Mas sentia! Uma sensação de tal maneira forte e poderosa, que nada mais importava naqueles instantes gloriosos.
Caro leitor, o meu nome é Diana Pais e sou caçadora. Nome apropriado, não? Mas não caço coelhos ou perdizes, nada disso. Trabalho na Judiciária e passo a vida a caçar homicidas. Na realidade, para horror e espanto dos meus colegas mais antigos e mais machistas, com apenas trinta e três anos estou a um passo de chefiar o departamento.
Também pudera; em dez anos de serviço nunca deixei um caso por resolver. Tornei-me uma lenda, que ultrapassou os muros da polícia. Desde que os idiotas da televisão resolveram fazer uma peça sobre mim, nunca mais tive descanso.
Quando fui chamada à universidade para este novo caso, estava longe de saber que me esperava o maior desafio da minha carreira. Nunca encontrara um caso tão complexo e fora do vulgar. De tal forma que, pela primeira vez depois de tantos crimes, em alguns momentos tive a sensação que não o conseguiria resolver.
Acompanhe-me, por favor, nesta aventura incrível. Prometo fornecer-lhe, em primeira-mão, todas as informações a que tiver acesso. E, quem sabe, pode ser que consiga descobrir o assassino antes de mim.
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PRIMEIRO
- Sabes, Rita, tenho reparado na forma co... como olhas para mim, ultimamente. – Digo, tentando fazer uma voz sedutora, mas sem sucesso. Os nervos traem-me e acabo por gaguejar.
- Ah, sim? E que olhares são esses? – Pergunta ela, trocista. Como de costume, isto não está a correr nada bem. A minha inépcia com as mulheres acompanha-me desde os tempos do liceu. Por todas as turmas onde passei, fui alvo de troça por ser diferente; sempre fui a “aberração” da turma. Mas desta vez não a vou deixar gozar comigo.
- Não te faças sonsa. Sabes bem ao que me refiro. – Digo, já com uma ligeira irritação na voz. Que diabo! Esta gaja passa a vida a deitar-me olhares lânguidos, e agora finge que não houve nada? Sem dar por isso, começo a cerrar os punhos...
- Sinceramente, não estou a perceber nada. Só se forem olhares de tédio, quando a conversa é mais aborrecida.
- Deixa-te de joguinhos! – Grito, prestes a perder o controlo. Bolas pá! Sei que ela me quer, porque é que está armada em esquisita? Decido arriscar tudo por tudo. – Podes parar com essa conversa. Sei que me desejas tanto como eu a ti. – Digo, enquanto lhe meto a mão pela saia acima, em busca daquela rata quentinha, que tanto desejo. Por momentos parece gostar, mas de repente esbofeteia-me e sai do carro, largando impropérios dignos de um camionista.
Fora de mim, persigo-a pelo parque de estacionamento, agarro-a por um braço e obrigo-a a voltar-se; dá-me novo estalo, seguido de um pontapé; respondo com um forte estalo, dado com as costas da mão; ela cambaleia e cai para a frente, atordoada; é então que sem pensar a agarro pelo pescoço; tenta meter-me os dedos nos olhos, mas ainda está fraca; estico os braços e evito-o facilmente; a partir daqui, tudo se passa de forma estranha.
Sinto-me como um fantoche, controlado por bonecreiro satânico. Sem vontade própria, continuo a apertar, cada vez com mais força; de repente, um lampejo de pena e culpa surgido algures nos recônditos da minha mente, faz-me aliviar por momentos a pressão, mas depressa o bonecreiro retoma o controle e relembra-me o objectivo; lá bem ao longe, vejo uma cara em pânico, como que envolta numa névoa. Olhos esbugalhados, cheios de um terror insano, suplicam-me que pare, mas é inútil. Estou em transe, sinto-me um ser maravilhoso e todo-poderoso, capaz de tudo. Sem piedade nem hesitação, mantenho o aperto firme até ao estremecer final.
E pronto! Acabo de matar pela primeira vez! Ainda não estou em mim, com a descarga de adrenalina. Nunca pensei que fosse tão fácil. E acima de tudo tão bom; melhor do que sexo. Ok, está bem, talvez não seja melhor do que sexo, mas é de certeza tão bom como.
São sobretudo sensações diferentes. Aquele estrebuchar final, olhos nos olhos com a vítima, é como se fossemos Deus, ou o Diabo, armados do enorme poder de tirar uma vida. É impossível ultrapassar uma sensação destas. Quando muito, talvez um orgasmo a possa igualar.
Por falar em sexo, e se eu aproveitasse para a comer agora? Ainda está quentinha... deve ser bom na mesma. Mas não sem tomar precauções primeiro. Conheço bem os métodos da polícia científica e posso garantir-vos que não tenciono facilitar-lhes o trabalho; antes pelo contrário.
Adormeci há alguns minutos, quando toca o telefone. É o João, o meu parceiro. – Johnny, espero que tenhas um bom motivo para interromperes o meu sono de beleza...
- Claro que o motivo é bom, Lady Di; por acaso viste o tempo para amanhã? Olha que vai fazer muito frio, agasalha-te bem. – Diz ele, em tom cândido.
- Diz lá o que se passa e deixa-te de tretas.
- Sabes bem que se ligo a esta hora é porque houve um homicídio, porque é que fazes sempre essa conversa?
- Não ligues, é só para te ver irritado. Onde foi?
- Na universidade; vou agora para lá. Queres que passe aí para te apanhar?
- Passa sim; não estou em condições de conduzir. Até já. – Desligo e fico por momentos pensativa, antes de saltar da cama para vestir qualquer coisa. Bom tipo, o João Mata. E um auxiliar de grande valia. Com uma memória fotográfica, e uma incrível capacidade de observação, nada lhe escapa quando analisa a cena de um crime. Até pistas que escapam à polícia científica, ele detecta com um relance do seu olhar de águia.
Já eu, apesar de também ser boa observadora, não chego aos calcanhares do João. A minha especialidade está nos interrogatórios. Consigo apanhar mentirosos com uma facilidade impressionante, e tenho um jeito muito especial para os fazer confessar. Além do mais, no que toca a interpretar pistas e juntar as peças do puzzle, deixo todos os meus colegas a milhas.
- Quem participou o crime? – Pergunto, já instalada no carro. O João, como de costume quando nos dirigimos para um homicídio, ligou as luzes de emergência e empenha-se em bater o seu recorde pessoal de sinais vermelhos atravessados a grande velocidade.
- Uma tal Dra. Joana Lemos. Ia a dirigir-se para o carro quando deparou com uma estudante seminua, uma das suas alunas, estendida no parque de estacionamento, já sem vida.
- Bom, pelo menos já temos a vítima identificada; isso é meio caminho andado. Com se chama a infeliz?
- Rita qualquer coisa; confesso que não liguei muito a isso. Mas pediram à Dra. para esperar lá por nós. Depois podes perguntar-lhe essas coisas.
- Claro, claro, não há problema. E foi morta como?
- Ao que parece foi estrangulada. Pelo menos a doutora tem quase a certeza disso. Quando a avisaram para não mexer em nada, parece que ficou ofendida, como se lhe estivessem a chamar ignorante.
- É normal. Com tantas séries policiais na TV, CSI e companhia, já toda a gente sabe essas coisas. E depois não compreendem que temos sempre de avisar.
Ao chegarmos ao local do crime, encontramos o perímetro já cercado com a famosa fita amarela, e os forenses em plena actividade. Flashes rasgam a noite enquanto fotografias são tiradas de todos os ângulos. O João passa a fita e começa logo a falar como uma loura bonita, que examina as mãos da vítima. Ao mesmo tempo, o seu olhar varre todo o perímetro em busca de pistas. É um verdadeiro scanner, aquele homem.
Já eu, dirijo-me logo a uma mulher alta, trinta e muitos anos, porte atlético e ar acabrunhado, que está de pé a um canto. Sem pensar, observo-lhe o rosto e pescoço. Estão limpos; nem sinal de arranhões; uma das marcas com que os assassinos ficam, em casos de estrangulamento.
- Doutora Joana Lemos? – Pergunto estendendo-lhe a mão. O aperto é firme e poderoso. Sabendo que uma grande parte dos homicídios são comunicados à polícia pelo próprio assassino, não posso deixar de me interrogar... – Diana Pais, da judiciária, muito prazer.
- Muito prazer. – Responde, meia apática.
- Doutora, sei que ainda deve estar em estado de choque, mas preciso fazer-lhe umas perguntas; pode ser?
- Com certeza inspectora. Pergunte o que quiser.
- A vítima era sua aluna, certo?
- Era minha aluna, sim; a Rita Duarte era uma das melhores em Técnicas de Interrogatório.
- Técnicas de Interrogatório? Isso é uma disciplina universitária? – pergunto, não escondendo o espanto.
- Sim inspectora; este é um curso recente, de Criminologia, e pretende formar futuros colegas seus.
- Estou a ver. – digo, procurando esconder um sorriso. É no mínimo irónico, que um curso destes seja palco de um crime a sério. – Então diga-me, quando viu a vítima pela última vez com vida?
- Na aula desta noite, que terminou por volta da onze horas. Depois fiquei a trabalhar no meu gabinete até quase à meia-noite, antes de me dirigir para o carro.
- Diga-me, doutora, alguém a viu a trabalhar no gabinete? Não leve a mal, mas...
- Não se preocupe, inspectora, eu sei que sou suspeita. Lembre-se que sou especialista em criminologia. Sei também que o facto de ter encontrado o corpo não diminui essas suspeitas, antes pelo contrário, só as aumenta. Respondendo à sua pergunta, não, pelo menos que eu desse por isso, ninguém me viu no gabinete. Não tenho quem me confirme o álibi, portanto.
- Muito bem, doutora. Agora diga-me, durante a aula notou alguma coisa fora de vulgar?
- Olhe, assim que me lembre, nada de especial.
- Tem a certeza? Não houve nenhuma discussão, ou troca de palavras mais azeda, entre a vítima e algum dos colegas? Ela tinha algum namorado na turma? Viu-a combinar alguma coisa para depois das aulas?
- Bom, a Rita passou a aula a provocar um dos colegas com olhares promissores. Mas isso era uma situação normal. Todos as semanas escolhia um diferente para seduzir.
- Ah sim? Era então uma moça bastante promíscua...
- Engana-se inspectora. Parece que aquilo era só fogo de vista. O especial gozo desta mulher era provocar os colegas e fazê-los avançar com propostas amorosas, para depois lhes dar grandes tampas.
- Algo me diz que esta última tampa correu mal...
- Acha? Pois eu estou convencida que isto foi obra de um estranho. Provavelmente um ladrão ou violador. Conheço bem os meus alunos e não estou a ver nenhum deles com estofo de assassino. Principalmente o que ela provocou esta noite.
- Como se chama ele? Gostava de o interrogar ainda hoje.
- É o Rui Pontes, um rapaz super pacífico. Tenho o telefone dele, se quiser.
- Obrigado, doutora. – Digo, copiando o número do telemóvel que ela me estende e efectuando logo a chamada. Atende-me a mensagem de telefone desligado. – Está desligado.
- Se calhar já está a dormir. Muitas pessoas desligam o aparelho ao deitar.
- Ou então não lhe dá jeito responder. Por acaso não tem a morada?
- Isso não tenho, lamento. Só mesmo na secretaria, mas essa está fechada.
- Muito bem, doutora. Só mais uma coisa e deixo-a ir dormir. Onde estava a vítima quando a viu pela última vez?
- Depois da aula veio ter comigo para tirar uma dúvida sobre a matéria que tinha acabado de dar. A Rita era uma aluna interessada e sempre atenta.
- E foi ao seu gabinete?
- Não, foi logo ali na sala, assim que a aula terminou. Esclareci-a, ela saiu e nunca mais a vi.
- Bem, doutora, por hoje não lhe tomo mais tempo. Mas amanhã gostaria de a voltar a interrogar, com mais calma. Pode aparecer na esquadra por volta das onze?
- Posso sim. Então até amanhã, inspectora.
- Até amanhã, doutora. E, por favor, tente rever mentalmente toda a aula. É importante que se consiga lembrar de todos os pormenores. – Fico a vê-la afastar-se, sem saber bem o que pensar. Por um lado pareceu-me sincera; e a confirmarem-se os avanços da Rita sobre o colega Rui, estamos perante um suspeito muito forte. Por outro, qualquer coisa me diz para não confiar a cem porcento na doutora; pode até não ser culpada, mas tenho a sensação de que me está a esconder algo...
- Então Diana, conseguiste sacar alguma coisa à doutora? – Pergunta o João.
- Consegui pois; coisas muito interessantes, até. E tu, com o local do crime, descobriste alguma pista? – Digo, enquanto me dirijo ao corpo. Os forenses já terminaram o seu trabalho e desampararam a loja. Os paramédicos preparam-se para transportar o cadáver para a morgue. Apesar da hora tardia, estão já umas duas dúzias de mirones, encostados à fita com ar entendido. – João, disfarçadamente fotografa os curiosos. – Digo em voz baixa.
- Não te preocupes, já está tratado. Quanto a pistas, nada de nada. Tenho a certeza que o criminoso limpou o local com zelo.
- E na vítima não encontraram nada? Um estrangulamento por norma dá luta. E, a não ser que seja feito por trás, quase sempre o assassino sai arranhado. Nada de pele debaixo das unhas? – Entretanto tinha chegado junto à pobre Rita. Levanto o lençol que a cobre. Está nua da cintura para baixo, o que sugere violação; e foi sem dúvida estrangulada. As marcas no pescoço e o tom de pele arroxeado, não enganam.
- Pois, isso é o mais estranho. Não parece haver nada debaixo das unhas; mas os forenses ainda vão processar o corpo com mais cuidado, antes da autópsia. Só nessa altura é que vamos ter a certeza. É como te digo, o assassino deve ter limpo tudo. Estamos a lidar com alguém que conhece a fundo os nossos métodos.
- Bom, isso não me admira nada. Sabes a que curso pertence a vítima? Criminologia.
- Criminologia?! Eu estudei aqui e no meu tempo não haviam cursos desses.
- É uma coisa recente. Mas estás a ver, não é? Se foi morta por um dos colegas, ou pela própria professora, todos conhecem bem os nossos métodos.
- Sim, claro. Todos esses e mais os milhões que vêm as séries CSI na televisão.
- Lá isso é verdade; mas olha, João, já temos um suspeito principal. Parece que a vítima se entretinha a seduzir os colegas na aula, para depois os humilhar quando faziam algum avanço.
- Humilhação quando fazemos um avanço? Essa é a história da minha vida, como tu muito bem sabes, aliás...
- Desculpa mas nunca te humilhei; apenas fui firme e assertiva. Porque é que será que os homens encaram uma nega como uma tragédia? É por isso mesmo que esta teoria me parece bem plausível; palpita-me que esta história tem a ver com uma tampa que deu para o torto...
- Isso é bem possível. Há gajos que não aceitam um não como resposta.
- Exacto. E parece que nos últimos dias a Rita tinha dirigido as atenções para o Rui Pontes, um dos seus colegas de turma. Quando lhe tentei ligar, deu telemóvel desligado...
- Isso é bastante suspeito, sem dúvida. Queres que tente encontrar a morada dele?
- Sim, liga para a sede que eles devem consegui-la. Mas algo me diz que não o vamos encontrar em casa.
- Vou já ligar. E quanto à professora, o que achaste dela?
- Olha, não sei muito bem. De início pareceu-me sincera, mas depois veio com uma conversa muito estranha, como se estivesse a esconder algo, ou a proteger alguém.
- Como assim?
- Olha, veio com uma história de que conhecia bem os alunos e nenhum deles teria estofo de assassino. Quer dizer, eu não disse nada, mas qualquer detective de algibeira sabe que os assassinos não trazem um A na testa, e na maioria dos casos parecem pessoas normais.
- Realmente é esquisito. Mas de qualquer forma não podemos excluir a hipótese de ter sido um estranho a matar. Deixa-me então ligar para a sede.
- Sim, mas antes de irmos a casa dele quero interrogar os seguranças, ou outro pessoal que cá estivesse entre as onze e a meia-noite.
Tanto quanto pudemos averiguar, às onze e um quarto da noite a universidade ficava vazia, com excepção de um segurança e de um ou outro professor que por vezes trabalhava até mais tarde. O segurança não tinha visto nem ouvido nada de anormal. Claro que muita vezes estes gajos adormecem em serviço, por isso o testemunho deles nem sempre é fiável.
Depois de interrogado o segurança, dirigimo-nos a casa do suspeito. Como já esperava, não está e o telemóvel continua desligado. Cada vez estou mais convencida de que o Rui Pontes é o nosso homem. Mas como de momento não podemos fazer mais nada, dou o dia por terminado.
- João, acho melhor irmos dormir. Já é tarde e amanhã o dia vai ser muito longo; quero interrogar todos os alunos da turma, a começar pelo Rui Pontes, claro. Todos são suspeitos, mas também testemunhas. O que se passou naquela última aula pode ser a chave para encontrar o assassino.
- Ok, chefe, vou já deixar-te em casa. E amanhã, assim que chegar, vou ligar para a universidade e pedir um email com a lista dos contactos de todos os alunos daquela turma. Quero começar logo a ligar-lhes. Para que horas marco os interrogatórios?
- Olha, se conseguires que comecem logo pelas dez da manhã, já é muito bom. E tenta que o Rui Pontes seja o primeiro; se o conseguires contactar, é claro. Quanto mais cedo começarmos, melhor. Gostava de interrogar toda a gente amanhã, enquanto o que se passou ainda está fresco na memória de todos. E também para ver se não damos tempo a que se combinem algumas histórias.
- Amanhã vai ser cá uma maratona... mas o que tem de ser tem muita força.
- Sim, mas se dividirmos o trabalho entre os dois, acho que conseguimos despachar tudo até à noite. Ciao Johnny, até amanhã. – Disse, abrindo a porta do carro.
- Até amanhã Diana, dorme bem.